Carine Araújo - Pedaços de mim...


23/09/2005


Canto pra ela

 

A cidade dorme

A cidade não sabe o que é sentir dor

Ainda criança

A cidade não sabe o que é acordar pra apanhar

A cidade não sabe o que é sentir desprezo

Por todos em redor

Eu sei. Só eu que sei

A cidade não sabe quem lhe pode trair

A cidade não sou eu

Nem quer saber de mim

Nem tem olhos pra chorar como eu

Nem tem espaço pra mim

Suas luzes não me clareiam

Seu movimento não me corre

Não me irrompe

Só destrói

O que todos tentaram destruir

Menos você...

 

Escrito por Carine Araújo às 13h25
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20/09/2005


Poetas de Além

Poetas de Além

 

Muitos vêm de longe

Semeando germes e larvas

Fofando a terra

No caminho dos passadores

Outros sequer semeiam!

Ao seu olhar flores brotam

Árvores ofertam-lhe seu melhor sabor

E a caravana radiante segue

Louvando os poetas de além

Categoria: Poesias
Escrito por Carine Araújo às 22h03
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Poesia de Miguel Carneiro para mim...

Canto breve para a Poeta Carine Araújo

 

Faltam muitos versos

para consertar o mundo.

Nós, de voz embargada,

colocando nossas baladas, >

em plena multidão.

Há ainda um irmão com fome,

um primo sem pão.

A poesia emergindo silenciosa,

esvaindo de nossas mãos.

Por isso, te afirmo, poeta:

Ainda é tempo de se fabricar o verso,

para enganar a sanha

demoníaca do Cão

 

Inédito / Miguel Carneiro

Categoria: Sobre mim...
Escrito por Carine Araújo às 22h02
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             CARINE ARAÚJO:

O CANTAR DE UM MUNDO EM CHAMAS

                          Falar de poesia nesses tempos de barbárie, silenciosa em nosso país, ceifando milhares de vidas inocentes é quase uma temeridade. O fazer poético perpassa por uma entrega de corpo e alma, uma espécie de renúncia, semelhante como Santa Teresa de Ávila (1515 – 1582) cantou: “Nada te inquiete, / nada te assuste; / pois tudo passa, / Deus nunca muda. / A paciência / alcança tudo. / Quem Deus possui / nada lhe falta. / Só Deus nos basta.”  E quando uma poeta como Carine Araújo, vem ao lume, mostrando o seu labor poético, no céu surge mais uma estrela a brilhar. Então, a poesia renasce, muda de tom, cria ritmos, encanta nossos ouvidos e se acomoda em nossos corações combalidos de tantas desesperanças.

                        De Muritiba, no recôncavo baiano, região de vates valorosos e ternos ao meu coração: Castro Alves, Mateus e Dadinho, Lui Muritiba, Damário da Cruz, João de Moraes Filhos e tantos outros nos chega à poesia dessa  moça,  impregnada de um estilo próprio, de um jeito novo de cantar o mundo que aos nossos olhos arde em chamas. O poeta alemão, Goethe, costumava afirmar que: “poemas são beijos que a pessoa dá ao mundo; mas de simples beijos não nascem crianças.” A poesia de Carine Araújo, ganhará decerto o mundo, terá muitos filhos publicados, pois tem dicção própria, e, é encharcada de ternura, adornada de setas de fogo a flechar nossos corações de leitores, ávidos por uma poesia que seja de primeira plana, que tenha marca e se insira sem pedir licença, na seara da literatura que se produz nessa terrinha, repleta de falsos poetas e fazedores de versos quebrados. >

                        A poeta muritibana tateia nessa longa estrada, distribuindo seus versos, tentando mudar a face perversa desse mundo, e que, como a poeta maior da Bahia, Maria da Conceição Paranhos, afirma: “Tebas, tem Cem Portas!”. E, daqui do meu canto, imerso em torvelinho, engolindo sapos ao amanhecer, rogo aos deuses, que a poesia de Carine Araújo, seja sempre eterna, perene, que se afirme e inunde esse Mar da Baía de Todos os Santos, com as águas do Rio Paraguassu,  e que muitas portas se abram e que em breve sua obra seja impressa, distribuida, por Pindorama e o mundo,  em definitivo, para engrandecer a galeria dos verdadeiros poetas baianos. Te saúdo, com alegria, minha irmã,  “Bathé buru uaá orê guaracy, guajaná!”.

                                                                                  Miguel Carneiro

Escrito por Carine Araújo às 21h53
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Devanear

 

Arrepio

Vontade de sentir a língua

Desvendando

Desnudando

Loucuras não saem no jornal

E eu não faço poses

Diante de uma vida

Sem câmera fotográfica

Escrito por Carine Araújo às 21h51
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Maria da Glória

(ou Lucíola insiste em morrer)

 

I ATO

 

Cá estamos

E de repente tudo tem gosto de sempre

Olhos que se voltam indagando:

- Quem é a Dama das Camélias?

Sorrisos espalham-se por seu corpo

Em bocas invisíveis

Bocas que procuram sua boca

Num afã momentâneo

Nada mais

 

II ATO

 

E de repente até sentir-se feliz

E até gostar dos vários cheiros

Que invadem sua pele

E até gostar de misturar suores

E ver tudo indo embora

Na curva extrema o riacho

Segue circulando nas feridas

Cá estou

E de repente tudo tem gosto de nunca mais

Escrito por Carine Araújo às 21h49
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19/09/2005


"Descaminhos"

Autor: Sigmund Freud

Buscar na Web "Sigmund Freud"

“Seja qual for o caminho que eu escolher um poeta já passou por ele antes de mim”

Categoria: Citação
Escrito por Carine Araújo às 15h51
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O 11 de setembro

O 11 de Setembro

 

            11 de setembro de 2003. Todas as atenções voltadas para os arquiinimigos Estados Unidos e Oriente Médio. Mais um atentado terrorista era esperado a qualquer momento. Depois de meses de conflito direto e de uma pseudo-paz armada, Osama Bin Laden, ou até mesmo Saddan Hussein, deveria querer se vingar do mais novo anticristo: George W. Bush. E nenhuma data era mais propícia para isso que a rememoração de dois anos do atentado que destruiu as torres gêmeas do World Trade Center, coração de Nova York, de Manhattan, dos EUA, do mundo. Comoção geral, mesmo dois anos depois. E uma lastimável situação de espera pelo pior.

            Daqui do Brasil, mais especificamente da Bahia, onde a ponte não é aérea, é a D. Pedro II, ligando Cachoeira a São Félix, podíamos respirar bem mais aliviados: nem de binóculos avistaríamos as supostas explosões e, atrocidade por atrocidade, já basta o caos do dia-a-dia, quem ia ligar a TV pra esperar desastre?

            Pois foi no meio dessa explosiva história (você sempre dando um jeito de infiltrar sua área) que nos encontramos, em plena tarde de quinta-feira, 11 de setembro. Não tínhamos torre, nem irmãos gêmeos, e, enquanto alguma coisa lá fora desmoronava, entre nós tudo estava apenas começando.

            E lá vinha eu: uma autêntica romântica desiludida, cabeça nas nuvens, sempre carregando comigo milhares de modernistas, árcades, sobretudo românticos. Gostando de sentir a minha língua roçar a de Camões. Baixinha por fora, mas por dentro, esperando ser desvendada. Mil mistérios a espera de descobridor. Olhava para os dois lados da rua antes de atravessá-la, a procura de carros ou de alguém?

            E lá vinha você, andando apressado pela rua em lado e direção contrários a mim.Trazia sob a boina mente e olhos abertos para vi-ver a vida, filosofando sobre os não lugares, como aquela rua em que, de repente, nos encontramos. E, com a licença de Bilac, de súbito paramos, o cruzar instantâneo do olhar, fazendo relembrar torres ruídas no passado: professor e aluna anos atrás, reflexo dos amores platônicos sempre tão previsíveis e tão irrealizáveis. Sempre?

            O encontro: abraços e beijos ardentes, o convite, aparentemente inocente, para um café. A conversa leve, sempre agradável, infestadas de gestos, temas recorrentes, volta e meia tornando ao mesmo ponto. O que seria tudo aquilo? Simples palavras lançadas ao vento a espera de um terreno fértil que as germinasse por tempo (in)determinado? Eu me perguntava, enquanto ria e transmitia um olhar profundo dentro da profundidade que era dele, que era ele. Pedaços de música, toques disfarçados... Olhava, olhava, tentando decifrar quem seria realmente aquela pessoa a minha frente e o que ele, de um jeito tão sutil, tentava transmitir a mim.Não sei. Só sei que a semente se infiltrou – quem sabe por osmose, os corpos tão próximos!

 E o tempo a passar, silencioso, para que não o percebêssemos. A noite caía levemente e a lua cheia, sempre ela, se estabelecia no céu. Estrelas, constelações, magia que iria se eternizar... Tanto a dizer, a sentir, o coração sem querer calar e... ops! O horário da aula se aproxima, o carro é perdido, o primeiro avião atinge a torre, anunciando separação. O brilho do luar refletido nas calmas águas do rio acompanhava o casal que seguia a lenda, atravessando a ponte do lado dos verdadeiros amantes. O ônibus chega: a segunda torre desmorona sob nossos olhares lânguidos. Vontade de reconstruir torres mais fortes, e mais fortes e mais... até que nada nem ninguém fosse capaz de demolir. Um vai, outro fica, e sou eu quem vai, enquanto a lua permanece no céu-mar e nós um no outro...

 

 

Carine Araújo

Categoria: Contos e Crônicas
Escrito por Carine Araújo às 15h14
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A Aurora de um dia comum

A aurora de um dia comum

 

Foi há pouco tempo, eu ainda me lembro de toda aquela história que presenciei. Fora triste o suficiente para que eu a trouxesse guardada na memória. E creio que não sou o único. Todos que puderam observar aquele fato, amigos e familiares, devem ainda lembrar do que ocorreu com ela. E hoje, depois de tudo ter se tornado passado, eu fico a imaginar o quanto isto deve ter doído nela, porque em mim, mero observador, ainda dói.

            Maria era uma guerreira, era sim. Durante muito tempo lutou contra tudo aquilo que fora o motivo de sua existência. Tentou a todo custo apagar de sua memória tudo o que um dia existira, mas que já não era real. O abandono inesperado tinha lhe acarretado mágoas profundas. Tão profundas quanto o amor que ela ainda sentia. Seus olhos negros como a noite perdeu a lua que o iluminava. Seu riso constante havia se apagado, feito fogueira no dia seguinte de São João. Suas mãos gélidas já não abraçavam mais ninguém, nem pretendia ser abraçada. Vinha se afastando de todos. Via-se em seu andar lento, em seu olhar lânguido, o vazio que todas aquelas lembranças lhe traziam. E a angústia que a acometia. Nem fotos tinha para contemplar o olhar tão saudoso, nem para comparar seu estado com o de antes. Suas atitudes desesperadas demonstravam a escuridão que a perseguia. E ela recorria ao choro, seu amigo constante. E em meio àquela loucura feria a si e aos demais, impotentes diante daquela situação. Só Maria poderia fazer algo para acabar com tudo aquilo. E ela fez.

            No dia mais significativo de todos, Maria acordou cedo. A saudade daquilo que um dia foram era devastadora e entrava pela janela disfarçada em raio de sol, para visualizar o desespero e a angústia de Maria. E em poucos minutos ela já estava fora de casa. Caminhou a passos largos a um ponto de ônibus próximo. Eu ainda tentei impedi-la e por um momento percebi medo em seu semblante. Ela mordia forte os lábios e esfregava as mãos, pensativa. Mas, resoluta, subiu no ônibus e dirigiu-se à praia, longe alguns quilômetros dali. No caminho lançou um último olhar ao lugar onde vivera a maior parte de seus poucos anos. E por um instante pareceu vê-la, também acordada e triste, através da janela. Talvez tenha sido apenas uma materialização do seu pensamento, fantasma tão constante em suas noites solitárias, a dar-lhe falsas esperanças, a dizer que voltaria, que não a deixaria só. A lua ainda estava no céu, aquela mesma lua que ela sempre esperava com grande entusiasmo para inspira-la em poesias, que nos últimos tempos tornaram-se funestas, presenciaria agora o seu ato alucinado. E eu estava lá, escondido sob as folhagens do coqueiro, mas não pude me aproximar. E vi tudo acontecer...

Primeiro ela escreveu uma mensagem na areia...  para ela. Suas mãos trêmulas, seu choro soluçado e sua pele lívida anunciavam o que ia acontecer. Foi quando ela, chorando, lançou um olhar em torno de si. E se viu só, como ela mais temia. Só agora eu percebo que aquele era um olhar de adeus. O sol começava a insurgir-se e a lua tinha de deixar o céu. Maria, como estrela que era, abriu os braços e foi com ela. Lançou-se mar adentro e foi engolida pelo reflexo final da lua no horizonte. Foi a última vez que eu vi Maria, e ela estava linda, radiante, certa de que agora ela estaria livre... para amá-la eternamente.

 

 

Carine Araújo

Categoria: Contos e Crônicas
Escrito por Carine Araújo às 15h11
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Quem é Carine Araujo?

Quem é Carine Araújo?

Vem da cidade serrana de Muritiba. Lugar aprazível pelo seu clima, sua história, sua gente.

Terra onde as Filarmônicas enchem as ruas com seus dobrados; terra de pessoas devotas de Nosso Senhor do Bonfim que, em janeiro, embalsa a cidade com muita água de cheiro nesse Recôncavo Baiano.

Carine, como todos os muritibanos,   aprendeu desde cedo a respeitar um certo   Castro Alves, poeta e filho ilustre daquela  terra, quiçá de todas elas.

Em 2004, com a performance Mãe África foi selecionada para a Bienal do Recôncavo, recitando ao som ancestral do rum, rum pi, rum lê o poema Vozes d’África, do poeta e mestre conterrâneo.

Estreou a sua pena aos 13 anos de idade quando venceu o 1º Concurso de Poesia do CECA, escola da região.

Mas o poeta não se faz por concursos ou prêmios, se faz talvez pela quase maldição de querer traduzir o Eu, o Outro, o Ser e as Coisas, o Nada.

Eis os versos de Carine Araújo, palavras  riscadas no papel dessa filopoesia que traz Idéias sobre Si e sobre o Mundo.

Versos que traduzem uma admiração incomensurável pela vida, um amor inefável pela Literatura e uma vontade ímpar de compartilhar as alegrias e as angústias da arte de Ser Poeta.

Fábio B. Pereira é historiador e músico.

Categoria: Sobre mim...
Escrito por Carine Araújo às 15h09
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18/09/2005


Caruru dos 7 Poetas

Data: 24/08/2005 - Hora: 19:00

Local: Casa da Cultura - Cachoeira

O Caruru dos 7 Poetas:Recital com Gostinho de Dendê é uma ação da Casa de Barro Ações Culturais a fim de promover o livre acesso à cultura e arte, neste caso, através da literatura. Do evento participarão 7 erês-poetas, dentre os quais EU, que,como o termo já diz são crianças ainda engatinhando na literatura e mais muitos nomes consagrados da literatura baiana como o Miguel Carneiro, o Mayrant Gallo, o Elizeu Moreira Paranaguá, o Franklin Maxado e muitos outros, enfim, pérolas de valor inestimável estarão presentes para saudar aos Ibejes com suas poesias.Além disso teremos performances e a apresentação afro-barroca do grupo Jêge-Nagô,do qual meu esposo,Fábio, faz parte.Vocês não podem deixar de vir.Ah, a entrada é franca!

 

Categoria: Evento
Escrito por Carine Araújo às 00h05
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17/09/2005


Anarquia

 

A rebeldia que nos alimenta

Vem talvez do fel

Derramado pela serpente adâmica

Vem talvez da morte

De heróis que não se sabiam

Vem talvez da dor

De crianças desnascidas

Vem talvez de nós

E dessa vontade incontrolável

De ser

Escrito por Carine Araújo às 23h50
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Lugar Nenhum

Lugar Nenhum

 

O descanso de tuas palavras

Tem uma luz mansa

De abajur

Frágil, intocada

Luz, no leve perpassar do tempo

Embaraçando cabelos

Desatando mentes

Cá na imensidão do mundo

Escrito por Carine Araújo às 23h46
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Poema de Aniversário

POEMA DE ANIVERSARIO

 

Passei muito tempo acreditando em átomos

Vendo Deus onde não havia

Vendo diabo onde havia deus

Não nasci de nove meses

Nem de sete

Só duas décadas depois

Abro os olhos

Ver todo

Saber tudo

Querer tudo

Um bebê

Me pegam pelo braço

E me esmurram a cara

Choro

Mas estou viva

Escrito por Carine Araújo às 23h43
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Persistência

Persistência

 

A vida esfria

E já não há cobertas

Já não há fogo

Já não há nada

Mas nós continuamos

Escrito por Carine Araújo às 23h42
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BRASIL, Nordeste, MURITIBA, RECÔNCAVO BAIANO, Mulher, de 20 a 25 anos, Portuguese, English, Livros, Arte e cultura, Música (boa!)
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